Uso excessivo de redes sociais impacta negativamente na felicidade de jovens, diz Relatório Mundial de Felicidade 2026
O Relatório Mundial de Felicidade 2026 trouxe insights sobre o bem-estar global, principalmente sobre o papel das redes sociais na vida dos jovens. Publicado pela Universidade de Oxford em parceria com a Gallup e a ONU, o documento analisa dados de mais de 140 países e destaca tanto avanços como preocupações, além de convidar educadores e famílias a refletirem sobre o impacto da tecnologia no desenvolvimento emocional da juventude.
Nesse contexto, o consumo excessivo de redes sociais é apontado como fator chave para a queda drástica na felicidade de jovens menores de 25 anos em países de língua inglesa e da Europa Ocidental. Principalmente meninas, com perda de quase 1 ponto na escala nos últimos 10 anos. Na América Latina, entretanto, o estudo indicou que o alto uso de redes não compromete o bem-estar juvenil no caso de plataformas de conexão social que fortalecem laços, como o WhatsApp, em oposição aos de conteúdo curado por algoritmos, como Instagram e TikTok. Além disso, descobriu-se que o pertencimento escolar tem impacto de 4 a 6 vezes maior na felicidade do que redução do consumo de redes sociais.
O relatório também citou a pesquisa PISA 2022, que abrangeu sete atividades na internet para estudantes de 15 anos em 47 países – exceto Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia — e mostrou que o uso pesado de redes sociais (média de 2,5 horas/dia) reduz o bem-estar. Mas menos de 1 hora diária eleva a satisfação vital acima de quem não usa redes. Outros fatores, como laços sociais e pertencimento, foram apontados como mais impactantes do que o tempo on-line.
Além do PISA 2022, o documento discorre sobre outros estudos, incluindo ensaios clínicos randomizados, experimentos naturais, estudos internos feitos pelas próprias empresas de redes sociais (Facebook, TikTok, Instagram, Snapchat) e citações de seus funcionários afirmando diretamente que seus produtos estão causando danos a adolescentes em larga escala. Os dados vão além da questão da felicidade e incluem informações sobre como esses produtos impactam negativamente a autoimagem de seus usuários, aumentam a incidência de ansiedade e depressão, bem como exposição a conteúdos violentos e de bullying, assim como à recepção de “investidas sexuais indesejadas”.
Com isso, ao fim da análise, o Relatório Mundial de Felicidade 2026 é categórico e afirma: “a preponderância das evidências aponta para uma resposta clara à questão da segurança do produto: não, as plataformas de mídias sociais não são seguras para crianças e adolescentes”.
Outros destaques globais
A Finlândia mantém a liderança de país mais feliz do mundo pelo nono ano consecutivo, com uma nota média de 7,764 em uma escala de 0 a 10 na avaliação de qualidade de vida, seguida por Islândia, Dinamarca e Costa Rica, que alcança o 4º lugar, o melhor de um país latino-americano. Pela primeira vez desde 2012, nenhum país de língua inglesa figura no top 10: Nova Zelândia (11º), Irlanda (13º), Austrália (15º), EUA (23º), Canadá (25º) e Reino Unido (29º) saem do pódio, refletindo quedas acentuadas no bem-estar juvenil.
Já o Brasil está em 32º lugar, com nota 6,634/10 (média de 2023 a 2025), superando França (35º), Argentina (44º) e Chile (50º). Globalmente, há mais países com ganhos significativos (79) que perdas (41) desde 2006 a 2010, com destaques na Europa Central e Oriental (como Kosovo em 16º e Eslovênia em 18º). Já países em conflito permanecem no fundo da lista, como Afeganistão (147º).
Próximos passos
Esses achados reforçam a necessidade de educação digital consciente para priorizar conexões reais, limitar exposição algorítmica e fomentar pertencimento em escolas para elevar a felicidade sustentável. Como educadores, propomos a criação de workshops sobre uso equilibrado de tech, incentivo a atividades off-line para fortalecer laços autênticos, criação de cultura e políticas voltadas para a sensação de pertencimento escolar e limitação do tempo de telas e de exposição às redes sociais, conforme indicado em diversos conteúdos da Metodologia OPEE, seja nos materiais escolares, seja em nosso canais digitais.
Além disso, é importante lembrar que a felicidade não é a ausência de problemas. É o processo de se construir uma boa vida. No press release do relatório há uma fala de John F. Helliwell, professor emérito de Economia da Universidade da Colúmbia Britânica e um dos editores fundadores do Relatório Mundial da Felicidade, que explica perfeitamente essa ideia: “quando se trata de felicidade, construir o que é bom na vida é mais importante do que encontrar e consertar o que é ruim. Ambos precisam ser feitos, agora mais do que nunca.”
Texto: Marcela Braz.







