
Bullying ou brincadeira? Qual é a diferença?
“Eu estava só brincando”, se defendem jovens – e até adultos – quando são confrontados com a responsabilização atrelada ao termo “bullying”. Embora frequentemente confundidos, é fundamental entender que bullying e brincadeira são comportamentos muito distintos. Especialmente no ambiente escolar, onde crianças e adolescentes convivem e se desenvolvem socialmente.
Bullying é um conjunto de agressões repetidas e intencionais que podem ser verbais, físicas ou psicológicas, direcionadas a uma pessoa que é, geralmente, mais vulnerável, intimidada e excluída do grupo. Essas agressões acontecem de forma sistemática e causam sofrimento profundo à vítima, que pode experimentar isolamento social, queda na autoestima, problemas de saúde mental como depressão e ansiedade, e até quadros mais graves como o suicídio.
A legislação brasileira, especialmente a Lei nº 13.185/2015, caracteriza o bullying como ações de intimidação sistemática e prevê medidas para seu combate nas escolas.
As brincadeiras, por outro lado, são interações lúdicas, voluntárias e mútuas entre as crianças. Normalmente envolvem troca de risadas, respeito aos limites e ausência de sofrimento para os envolvidos.
Claro que elas podem, às vezes, incomodar. Mas, se são feitas sem intenção de causar dor, sem persistência para humilhar e são aceitas e compreendidas pelos participantes, não configuram bullying.
A principal diferença está no repetido e deliberado caráter das agressões no bullying, enquanto a brincadeira é momentânea, consensual e saudável. O bullying é um abuso de poder, em que a vítima não tem como se defender da perseguição contínua. Enquanto a brincadeira é uma interação equilibrada, que promove aprendizado social, cooperação e diversão.
Para a comunidade escolar, é essencial saber identificar quando uma situação ultrapassa o limite da brincadeira e se torna uma violência. Por isso, é importante ter atenção a sinais como: isolamento da criança, tristeza constante, medo de ir à escola, mudanças no comportamento, ou relatos de agressões verbais e físicas constantes.
Nessas situações, é necessário agir e envolver família, professores e profissionais especializados. E com diálogo e estratégias de conscientização para interromper esse ciclo de violência e apoiar a vítima e o agressor, que muitas vezes também sofre.
O combate ao bullying começa pelo reconhecimento claro do que ele é, diferenciando-o da brincadeira inocente e reforçando uma cultura de respeito e empatia entre as crianças e jovens. Esse cuidado ajuda a formar cidadãos mais conscientes, que valorizam o bem-estar coletivo e sabem conviver com as diferenças, um dos grandes desafios e aprendizados da vida escolar.
Aprofunde-se mais sobre o tema na cartilha da OPEE Educação, que traz orientações práticas para educadores e famílias prevenirem, identificarem e agirem frente ao bullying com acolhimento, escuta e diálogo.
Texto: Marcela Braz.